Agrotóxicos na agricultura brasileira - Entrevista com eng. agrônomo Hernandes Werner

Postado por Fernanda Werner em

O Brasil, hoje, é o terceiro maior produtor de alimentos do mundo e o segundo maior exportador, atrás apenas dos Estados Unidos. Além disso, somos o país que mais utiliza agrotóxico nas suas lavouras. Para entendermos melhor o porquê dessa liderança e como lidarmos com esses agroquímicos convidamos o engenheiro agrônomo Hernandes Werner, ex-pesquisador da Epagri/SC por 24 anos, para um bate-papo sobre o tema.

Engenheiro agrônomo em horta de hidroponia de morangos

  • Por que os agrotóxicos são usados?

Existem vários tipos de agrotóxicos, os mais comuns são os herbicidas para matar as plantas indesejáveis, os inseticidas para matar insetos e ácaros e os fungicidas para matar os fungos que afetam os cultivos. Para cada classe de agrotóxico há centenas de produtos. O uso de agrotóxicos é uma prática dita “moderna” de reduzir mão de obra para manejo de ervas ou combater pragas e doenças nas culturas. Realmente sua utilização se faz necessário dentro do contexto da agricultura convencional, normalmente extensiva e mecanizada. 

  • Por que o Brasil é o país campeão em uso de agrotóxicos?

Principalmente devido a sua extensa área de cultivo e porque neste país abençoado podemos fazer duas ou três safras por ano, ao contrário de grande parte de países cujo clima temperado só permite uma safra ao ano.

  • Os agrotóxicos são um problema? Por que?

Pergunte a um agricultor que sofreu uma intoxicação ou ficou com sequelas neurológicas ou até desenvolveu câncer... em função da lida com agrotóxicos. Problemas reprodutivos também são relatados. O uso de equipamentos de proteção individual, os EPI, são necessários ao aplicador de agrotóxicos e por si só já revelam que não são substâncias sem perigo. Além dos problemas agudos, correlatos a fase de cultivo, temos que lembrar dos problemas crônicos que podem advir dos resíduos destas substâncias nos alimentos. Animais selvagens não tem câncer mas os pets tem. A comida que ingerem é diferente. Quanto a nossa comida...

  • É possível alimentar o Brasil todo sem o uso de agrotóxicos?

No passado isto já foi feito, pois não havia agrotóxicos. Atualmente para o modelo convencional de produção agrícola vigente não é possível dispensar os agrotóxicos. Contudo, acredito que é possível uma rápida evolução deste sistema, ao integrar conhecimentos já colocados em prática pela agricultura orgânica, conceito derivado de “organismo” e não é simplesmente porque tem carbono. Na agricultura orgânica se utiliza tecnologia de processos, enquanto na agricultura convencional se utiliza tecnologia de produtos. A grande diferença está na maneira de cuidar do solo, na forma de nutrir as plantas e de um mínimo entendimento da bioquímica celular, a qual pode ser equilibrada ou não. Se a planta não for nutricionalmente equilibrada, fatalmente atrairá pragas e doenças. Nos cultivos orgânicos consolidados, dificilmente se tem pragas e doenças, pois a saúde do solo reflete na saúde das plantas.

  • Quais as formas do consumidor evitar os agrotóxicos?

De maneira prática, é preferir consumir alimentos orgânicos. 

       Como a produção orgânica ainda não está disseminada no país, uma forma de economizar na compra de orgânicos e investir em uma alimentação mais saudável é conhecer as feiras orgânicas. Por lá, o consumidor compra direto do produtor pagando menos e ainda tendo troca de experiências ricas.

       Para quem tem interesse em iniciar o cultivo de alimentos orgânicos em casa, vale começar por uma pequena horta com os temperos e hortaliças que mais consome. Se você não tiver espaço ou mora em apartamento, confira nossa solução inteligente para se tornar um agricultor urbano.


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7 comentários

  • Excelente texto.
    A agricultura orgânica está cada vez mais presente nas pequenas propriedades rurais. Mas, somente com mais incentivos, a produção aumentará e tornará os produtos mais acessíveis a população.

    LAERCIO PAVANELLO em
  • Ótima reportagem!! Além de contaminarem os solos, estão ligados a diversos tipos de doenças, desde leucemias e linfomas até alterações neurológicas e hormonais.

    Taís Seibel em
  • Excelente!!!!!

    Jean Werner em
  • Muito esclarecedor , pois estou querendo cultivar meus próprios temperos! 👏🏼👏🏼👏🏼

    Simone em
  • Excelente entrevista!!

    Aline em

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